domingo, fevereiro 12, 2006

LIBERDADE DE EXPRESSÃO

Por fim, não resistiu: arredou as cortinas e começou a agitar o bracinho, sorridente. Mas que raiva: ele que se deve contentar de uma janela e de uma praceta minúscula como aquela que está diante de Palácio Chigi, enquanto que o outro tinha, só para si, uma inteira varanda aberta para uma praça gigantesca, Piazza Venezia. Uma afronta para quem se considera segundo somente a Napoleão. No entanto, a tentação era grande, tanto mais que, debaixo da janela, estavam alguns jovens do seu partido recrutados para fazer claque” (do jornal L’Unità).

No último dia da Legislatura, Berlusconi não podia deixar passar a ocasião sem receber aplausos (encomendados). Surgiu à janela e saudou, qual grande chefe, o “seu povo”.

Estudantes provenientes do sul de Itália, em viagem de estudo a Roma, naquele momento passavam pela tal praceta (piazza Colonna). Um grupo de cinco raparigas tomou a iniciativa de cantar, a plenos pulmões, o estribilho: “Berlusconi pedaço de m….”
Imediatamente interveio a polícia, convidando-as a afastar-se. “Na Itália há liberdade de expressão”, respondeu-lhe uma das raparigas. “Expressão sim, insultos não”, retorquiu o agente da ordem e acrescentou: “Sois de maioridade ou tendes alguém que vos acompanhe?”
As jovens cantoras, a este ponto, entenderam que seria melhor mostrarem-se obedientes: “Somos menores, efectivamente; exagerámos, mas vamos já embora”.
Antes de desaparecerem, uma mais corajosa, assim a modos de saudação, disse ao polícia: “No entanto, sabe, dissemos aquilo que pensamos”. (Informação do jornal La Repubblica)
Alda M. Maia