quinta-feira, fevereiro 08, 2018

“OS PROFESSORES FECHEM A PORTA DA MÁ EDUCAÇÃO AOS JOVENS”

Este é o título de uma troca de opiniões entre a jornalista, Maria Corbi, do jornal italiano “ La Stampa” e uma professora do ensino superior, Elisabetta Bolondi. Vejamos, então, o que estas duas senhoras escrevem sobre um tema que, infelizmente, é muito actual e abrangente.

… “Na minha longa carreira de professora de Letras, percorri vinte e cinco anos num Instituto Técnico na periferia de Roma, onde, além de ensinar italiano, história, cinema, arte e arquitectura procurei dar aos meus alunos, em grande parte oriundos de classes culturalmente mais necessitadas, a dignidade da linguagem e da cultura como único e verdadeiro instrumento de promoção social . O uso apropriado das palavras, de uma linguagem específica adequada no mundo do trabalho e da comunicação, o hábito da leitura e da escrita, uma atitude correcta em apresentar-se, assumindo a postura e vestuário apropriados a qualquer circunstância, constituíram a base sobre a qual construir a minha didáctica e o diálogo educativo com os alunos.
Ver o uso que, actualmente, muitíssimos dos políticos vencedores fazem do turpilóquio, da agressividade verbal, dos slogans que reassumem num insulto uma mensagem política simplificada, que parece directa à parte mais carenciada sobre o ponto de vista cultural dos eleitores - e, como frequentemente se diz, à sua pança – parece-me uma sonora derrota dos valores e dos objectivos que guiaram o meu exercer escola, seguindo os passos do inesquecível Dom Lorenzo Milani.
Tudo isto me parece uma trágica marcha atrás, uma renúncia à cultura das próprias raízes e da tradição italiana, da qual a nossa língua é um elemento fortemente caracterizante. A escola, na mão de docentes capazes e motivados que no futuro se espera sejam mais bem pagos e socialmente mais reconhecidos, pode e deve fazer muitíssimo para que a deriva, não somente linguística, não afunde a sociedade italiana num abismo de ignorância sem regresso.
Para não arriscar que todos se tornem numa curva futebolística de ultras desencadeados, temos necessidade de regressar a uma escola na qual também sejam ensinadas as boas maneiras, a gentileza, a afectividade, o respeito entre sexos, o diálogo construtivo (eis por que escrevi à sua rubrica), mas também ensinar a cultivar a dignidade de cidadãos de uma república democrática que tem, na suam história, séculos de cultura e de beleza que seria desassisado não cultivar e conservar da parte dos mais jovens.”   -  Elisabetta Bolondi

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Cara Elisabetta
 Infelizmente temos de reconhecer que os políticos são o espelho da sociedade que os votou. Portanto, os palavrões de Salvini & comp. são  também os nossos. Certamente que a política deveria dar o exemplo, mas ninguém é “inocente” neste delito consumado em dano da língua, da cultura, mas também da educação, a que se aprende desde criança.
O palavrão, o turpilóquio tornaram-se “normais” e, muitas vezes, infelizmente, encontramo-los também nos títulos dos jornais. Um declinar nas formas que investe também a substância das coisas.
A intolerância, a agressividade, em geral a barbarização nas relações entre as pessoas são o sintoma intolerável deste declínio só aparentemente formal. As maiores instituições educativas, a família e a escola, hoje em dia parece que estão entregues a si mesmas, dada a profunda incapacidade a desempenhar o próprio papel.
Os professores, mas também os genitores, têm perdido autoridade; uma debilidade na qual os jovens encontram escancarada a porta para uma “má” educação.

Construímos uma sociedade que, de qualquer maneira, copia o modelo económico do “mercado livre”, permitindo que a sociedade se modele a si mesma através do jogo entra procura e oferta. Mas quando a procura de cultura e de regras diminui, inevitavelmente o seu valor baixa e não se tornam “convenientes”. E, assim, investimos na ”fealdade”, na esperteza, ma má educação. Um não valor com o qual enchemos os cofres do nosso País. Uma bolha que nos está rebentando na cabeça, tornando todos mais pobres. E não é populismo.  -  17 / 04 / 2018